“O Bangu Atlético Clube é forte e vive dentro de cada um de nós. Sua sublime história e o seu caráter pioneiro continuam vibrando intensamente em cada coração banguense” (Luiz A. Vila Flor)

segunda-feira, 15 de janeiro de 2018

O belo hino do Bangu Atlético Clube

"O Bangu tem também a sua história, a sua glória, enchendo seus fãs de alegria!" (La-martine Babo)

A marcinha do Bangu, que hoje é o Hino do Bangu Atlético Clube, assim como as marchinhas dos demais clubes do Rio de Janeiro, que disputavam o Campeonato Carioca na segunda metade da década de 1940 (e que também tornaram-se hinos), nasceu do desafio que o apresentador radiofônico Héber de Boscoli (Programa “Trem da Alegria” – Rádio Mayrink Veiga / PRA-9) fez ao compositor de marchinhas carnavalescas Lamartine Babo, que, em síntese, era compor uma marchinha por semana para cada um dos 10 times que disputavam o Campeonato Carioca (eram onze times, mas para um deles Lamartine Babo já havia composto a marchinha).
Composição sobre a capa do livro Tra-la-lá - Vida e Obra de Lamartine Babo.
(3ª edição revista e ampliada - Funarte) 
Caricatura de Lamartine desenhada pelo caricaturista Lan.
(o italiano Lanfranco Aldo Ricardo Vasselli Cortelline Rossi)
Lamartine Babo, avesso ao trabalho (era amante da boemia), assinou o contrato com uma gravadora para compor as dez marchinhas, mas exigiu um adiantamento, no que foi atendido pela contratante. Passado algum tempo, nada de marchinhas, só tinha feito a dedicada ao América, clube para o qual ele torcia), mas que, assim que foi apresentada par gravadora, descobriu-se logo tratar-se de uma fraude: a música que Lamartine dizia ter sido a primeira e seria a mais bonita, devido ao seu grande amor pelo América, era um plágio descarado segunda parte da canção norte americana “Row Row Row”, composição de James Vincent Monaco e William Jerome. Essa música foi gravada em 1912 por Ada Jons e azia parte do Musical da Broadway "The Ziegfeldo Follies of 1912). Também aparece em um Soundie do início da década de 1940, interpretada por Joy Hodger. Lamartine, nesse caso, só teria colocado uma letra adaptada sobre essa parte da música. Não tenho informação se a gravadora brasileira procurou o(s) detentor(es) dos direitos sobre a melodia para ser autorizada a gravá-la, mas foi o que ocorreu, assim como as demais.
Row Row Row, interpretado por Ada Jones (1912)

Row Row Row, interpretado por Joy Hodges (1912)

Essa melodia também integra o hino do Hino do Richmond Football Club - "The Tigers", clube de Futebol Australiano sediado em Melbourn (AUS), Fundado em 1885. O Richmond é o atual campeão Australiano da Australian Football League (AFL). O professor e diretor artístico da Escola de Música da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), João Vidal, considera que Lalá tenha se inspirado para compor o hino do América, na melodia desse hino, colocando tão somente uma letra adaptada.
Hino do Richmond Football Club - "The Tigers" 

Superado o episódio do plágio, Babo disse aos diretores da gravadora que precisava de mais dinheiro, pois estava quebrado e não havia como trabalhar nas marchinhas tendo preocupações com dinheiro. A gravadora pagou desse e de outras vezes; mas nada de aparecerem as músicas.

O epílogo dessa história quem nos revela é o apresentador e empresário musical Oswaldo Sargentelli, que era sobrinho do Lamartine Babo. Sargentelli conta que os diretores da Gravadora, preocupados, pois aventavam a possibilidade de Lalá, malandro e pouco chegado ao trabalho, jamais terminasse as marchinhas, arquitetaram um plano extremo: Conduziram Lamartine para um apartamento no Centro da Cidade (na Rua Senador Dantas), onde havia tão somente uma geladeira com comida para uma semana, sem qualquer tipo de bebida alcoólica. O telefone fora previa e preventivamente desligado. Por precaução, os diretores colocaram dois seguranças para vigiar “malandro” e avisaram-no que ele somente dali sairia, quando tivesse concluído todas as dez marchinhas.

O plano funcionou muito bem e antes do início da década de 1950 o Bangu e todos os demais clubes cariocas, que disputavam o campeonato de profissionais tinham as suas marchinhas que depois se transformaram oficial ou oficiosamente em seus hinos.

"O Bangu Atlético Clube, que não precisou de plágios para que tivesse sido composto o seu belo hino, hoje o tem cantado com orgulho por toda a sua fiel Torcida."


Hino do Bangu - Composição de Lamartine Babo.
Gravação original - Trio Melodia (Nuno Roland, Albertinho Fortuna e Paulo Tapajós).

Todos os 11 clubes profissionais do Futebol Carioca, naquela época, com "hinos" compostos por Lamartine Babo:

América Futebol Clube,
Bangu Atlético Clube,
Bonsucesso Futebol Clube,
Botafogo de Futebol e Regatas,
Clube de regatas do Flamengo;
Canto do Rio Foot-Ball Club,
Fluminense Futebol Clube,
Madureira Esporte Clube,
Olaria Atlético Clube,
São Cristóvão de Futebol e Regatas,
Clube de regatas vasco da Gama.

A letra do lindo Hino do Bangu Atlético Clube:

O Bangu tem também a sua história a sua glória,
Enchendo seus fãs de alegria.
De lá, pra cá, surgiu Domingos da Guia.

Em Bangu se o clube vence há na certa um feriado.
Comércio fechado,
A torcida reunida até parece a do Fla-Flu,
Bangu...Bangu...Bangu...

O Bangu tem também como divisa na camisa,
O vermelho sangue a brilhar,
 E faz cartaz, estouram foguetes no ar.

Em Bangu se o clube vence há na certa um feriado.
Comércio fechado,
A torcida reunida até parece a do Fla-Flu,
Bangu... Bangu... Bangu...

O belo hino do Bangu Atlético Clube

"O Bangu tem também a sua história, a sua glória, enchendo seus fãs de alegria!" (La-martine Babo) A marcinha do Bangu, que ...